A experiência do cliente extrapola a realidade, os ambientes físico e digital e chega agora ao que se convencionou chamar de metaverso. Um conceito ainda não visível ou palpável, portanto, abstrato e etéreo, porém, com apelo irresistível.

Significa uma fusão de realidades, onde nossas vidas e experiências são potencializadas pela tecnologia digital. A concepção do metaverso parte da linguagem e características de jogos como o Fortnite, Minecraft ou Roblox e abrangem a possibilidade de adaptar identidades a avatares (outros “eus” e personificações, inclusive antropormóficas), cenários e pontos de vista vertiginosos e obtenção de créditos a partir da interação com desafios ou tarefas existentes no ambiente.

Esses créditos permitem efetuar transações para obtenção de designs digitais exclusivos, particularmente baseados em NFT (Tokens Não-Fungíveis). Assim, o metaverso explora percepções metassensoriais, explorando os limites perceptivos da audição e da visão, para subverter noções físicas e de equilíbrio enquanto acena com recompensas instantâneas.

Simplificando: METAVERSO significa viver uma pequena parte da sua vida em uma realidade modelada a partir da experiência dos games sociais.

Evidentemente que o apelo é irresistível. Centenas de empresas pelo mundo começam a explorar esse terreno gasoso e movediço para oferecer um novo patamar de experiências para que marcas encantem e envolvam seus clientes. É a chance de testar limites com designs que seriam quase impossíveis de existir na nossa realidade. É uma forma de combinar realidades e permitir uma imersão em ambientes fantásticos, pan-dimensionais ou fotorrealistas, que permitem ao usuário a sensação de estar no mesmo cenário que alguém em um país distante ou de um personagem de outra “realidade”. É o que se chama de teletransporte virtual.

A partir daí começam os problemas. A sensação experiencial de explorar um ambiente no METAVERSO depende de óculos e dispositivos de Realidade Aumentada ou Virtual, bem como dispositivos sonoros tipo 4D. Mas isso não quer dizer que criar uma experiência no METAVERSO signifique simplesmente criar, ou pior, emular, cenários físicos em um ambiente digital.

Isso é apenas requentar as velhas, previsíveis e soporíferas aplicações de Realidade Virtual que fizeram algum sucesso há poucos anos. METAVERSO é um tanto a mais: envolve redimensionar a realidade – por isso, chamamos de aplicações de REALIDADE ESTENDIDA – incorporando perspectivas, faseamento e a oferta de NFTs. Sem transações para obtenção de designs digitais, sem METAVERSO “real”. Isso quer dizer que ninguém vai fazer reuniões em salas de reunião emuladas da realidade, ou ficar visitando lojas que tenham aquela feição “plástica” digital ou ainda criar avatares para andar a esmo por um cenário digital como no finado “Second Life”.

Estamos falando aqui de uma jornada distinta. METAVERSO amplia as possibilidades da jornada do cliente, explora novas experiências, e funciona como novo modelo transacional. É canal de venda, de testagem de produto, serviço e de interação sensorial, ao mesmo tempo em que abre as portas da descentralização financeira para as empresas, ao incorporar as criptomoedas como fundamento do negócio.

Bom, esses são os princípios, com alguma margem de adaptação aqui e ali. É um jogo de gente grande e que abriu uma avenida de gente vendendo terrenos na Lua (virtual?). Ou seja, estamos vendo a sedução do “FAKEVERSO”, ou seja, aplicações francamente tediosas de RA ou RV vendidas ou ofertadas como o passaporte para o novo Olimpo Digital. Só que não.

Nessas horas, melhor não ser pioneiro. Vale mais observar de camarote quem vai fazer direito, quem vai quebrar a cara – a maioria – e aí colher os aprendizados para investir com maior precisão. O METAVERSO é irreversível. A fusão de realidades fará parte do nosso estilo de vida digital e iremos, dentro de 5 a 7 anos, conversar sobre novas experiências vividas em ambientes digitais que redimensionam a realidade conhecida. Será tão comum quanto chamar um Uber, por exemplo. Mas nesses primeiros tempos, melhor observar e aprender o que não fazer e o que NÃO representa METAVERSO.

É importante ainda entender que para participar desse jogo, a empresa precisa, obrigatoriamente,, aprimorar substancialmente sua experiência phygital, além de dominar a arte do storytelling. Sem narrativa ou a habilidade de engajar os clientes a partir de conceitos óbvios (mas complexos) como experiência omnicanal, redução de fricção, otimização de tempo, conveniência e âncoras emocionais, se lançar no METAVERSO será como querer viajar para a Marte a bordo de uma asa-delta.

*Por Jacques Meir.


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